O Judiciário brasileiro recebeu 40,9 milhões de novos casos em 2025, o maior volume registrado desde 2009, segundo o relatório Justiça em Números 2026, do CNJ. Na Justiça Federal, o crescimento foi de 19,8% em um ano. Durante a Fenalaw 2026, em São Paulo, o CTO da doc9, Alexandre Stumpf, atribuiu parte desse aumento ao avanço da inteligência artificial generativa, que reduziu o custo e o tempo para elaboração de petições. "Hoje é possível gerar centenas de peças em minutos, com variação de texto e aparência de legitimidade", afirmou.
Segundo Stumpf, a litigância abusiva em massa costuma envolver captação de potenciais autores, procurações com indícios de irregularidade e petições produzidas por IA. O executivo defendeu que a própria tecnologia pode ajudar a combater fraudes por meio da análise de padrões e similaridades entre processos. Em um caso apresentado, mais de 8 mil ações contra uma operadora de saúde tiveram documentos examinados, revelando laudos com 82% a 89% de conteúdo idêntico. "A IA criou o problema em escala, e só ela consegue resolver na mesma proporção", disse.