Fazendo uso da Tribuna Livre da Câmara de Diadema, a moradora Sandra Benício Dantas, do grupo Mães Atípicas, denunciou o atendimento precário no Caps Infanto Juvenil da cidade. “A saúde mental aqui dentro de Diadema tá um caos, só não enxerga quem não quer”, afirmou, representando mães que enfrentam dificuldades para garantir tratamento adequado aos filhos.
Ela destacou que o serviço não oferece terapias e que muitas vezes o atendimento se resume apenas à renovação de receitas médicas. “Não precisamos apenas de renovação de receitas, precisamos de médicos e de um atendimento digno”, disse, ressaltando que crianças e jovens autistas convivem com outras comorbidades como epilepsia, TDAH e depressão.
Sandra relatou que muitas mães estão em situação de isolamento e sofrimento emocional. “Tem mães dentro de casa ficando depressivas porque não conseguem atendimento para o filho, não conseguem medicamentos”, afirmou. Segundo ela, a ausência de políticas públicas efetivas agrava o problema.
A representante contou sua própria experiência ao lado da filha de 17 anos, que depende de um medicamento caro. “É mil reais para uma pessoa que não trabalha. Você deixa de pagar uma conta para comprar o medicamento, porque quer que sua filha fique bem”, relatou.
Ela criticou ainda o fechamento de unidades de Caps Adulto, o que compromete o futuro dos jovens que hoje são atendidos no Caps Infanto Juvenil. “Com fechamentos de Caps adulto, para onde é que vão nossas crianças?”, questionou.
Sandra lembrou que já houve reuniões com o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, mas que as respostas da Secretaria de Saúde não refletem a realidade. “Eles falaram que tá tudo bem. Não tá tudo bem, gente, tá horrível”, declarou.
Ao encerrar, fez um apelo por investimentos urgentes na saúde mental de Diadema. “Vocês precisam enxergar, vocês precisam fiscalizar. A gente não precisa que feche um serviço de saúde, precisamos que abra mais”, concluiu, sob aplausos de mães presentes.