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PF deflagra operação contra fraudes no INSS
Mandados no Ceará e DF investigam esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, com suspeita de envolvimento de políticos e dirigentes de associações ligadas a beneficiários previdenciários
Por Rádio Serraria
Publicado em 17/03/2026 14:59
Polícia
Divulgação/Ministério da Justiça

A operação Indébito, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (17), mostra como os esquemas de fraude previdenciária podem ter ramificações profundas e envolver figuras de destaque político. O foco está em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, prática que já vinha sendo investigada na operação Sem Desconto.  

A ação cumpre 19 mandados de busca e apreensão, dois de prisão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos, segundo o g1, está a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), apontada como ligada à associação Aapen e suspeita de abrir empresas em nomes de laranjas para participar das fraudes e receber parte dos valores desviados.  

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça, e contam com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A PF afirma que o objetivo é aprofundar as investigações sobre crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação patrimonial.  

Segundo informações divulgadas, os mandados de prisão foram direcionados ao empresário Natjo de Lima Pinheiro e à advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Aapen e da AAPB. Ambos são apontados como operadores centrais do esquema.  

O caso expõe a vulnerabilidade de beneficiários do INSS, que muitas vezes percebem descontos indevidos sem autorização ou conhecimento. Esse tipo de fraude não apenas afeta diretamente aposentados e pensionistas, mas também mina a confiança no sistema previdenciário.  

Do ponto de vista político, o envolvimento de uma parlamentar amplia a gravidade da operação, pois sugere que o esquema não se limitava a operadores privados, mas tinha apoio institucional. Isso pode gerar repercussões no Congresso e no cenário partidário, especialmente em um momento de maior escrutínio sobre corrupção e má gestão de recursos públicos.  

A médio prazo, a operação deve servir como alerta para a necessidade de maior fiscalização sobre associações e entidades que atuam junto a aposentados. O fortalecimento de mecanismos de controle e transparência será essencial para evitar que fraudes semelhantes voltem a ocorrer e para proteger os beneficiários mais vulneráveis.

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